Por que modificar geneticamente as plantas


Há milhares de anos o homem seleciona plantas, para utilizar como alimento, a fim de melhorar suas características, como a resistência a doenças, a insetos, a estresses ambientais, o rendimento, e também alguns aspectos relacionados à qualidade (sabor, aroma, textura, tamanho).


Esse tipo de seleção deu origem ao melhoramento vegetal como ciência, através da qual novas variedades de plantas vêm sendo produzidas, a partir de técnicas tradicionais de cruzamento e melhoramento. Estas, envolvem a transferência de genes através da reprodução normal, ou através de metodologias que alteram cromossomos, como a mutagênese química e a irradiação.

 

Entretanto, o melhoramento convencional apresenta algumas limitações:

1) a incompatibilidade sexual para cruzamentos entre diferentes espécies: no melhoramento convencional, os cruzamentos só podem ser realizados entre plantas de espécies que se cruzam sexualmente. Em outras palavras, caso deseje-se obter uma planta de tomate resistente à uma doença ou inseto, e somente outra espécie, o milho por exemplo, possuir este gene de resistência, não há como transferi-lo para o tomate, pois as duas espécies são incompatíveis sexualmente.

2) o tempo para a obtenção da nova variedade: o processo de melhoramento convencional é normalmente muito lento, podendo levar mais de 10 anos até que uma nova variedade seja lançada.

3) a menor precisão na inserção da característica: no melhoramento convencional, a introdução da nova característica nem sempre ocorre de maneira isolada, pois pode vir acompanhada de outras características, nem sempre desejáveis.

Mais de um século se passou desde a descoberta do DNA por Friedrich Miescher, em 1869. Depois disso, outros fatos marcaram a ciência e a história da humanidade, como as descobertas de Mendel sobre a hereditariedade, de Oswald Avery, sobre a função do DNA na transmissão de características de uma geração a outra, e de Watson & Crick, sobre a estrutura em dupla hélice da molécula de DNA, nas décadas de 40 e 50 respectivamente. Essas descobertas, aliadas aos avanços das técnicas de análises e transferência de genes, foram fundamentais e decisivas para que se desenvolvesse a Tecnologia do DNA Recombinante.

Por isto, o melhoramento de plantas buscou contornar suas limitações, sempre acompanhando as tendências lançadas pelo desenvolvimento científico, utilizando o potencial da Engenharia Genética e das técnicas da moderna Biotecnologia. Assim, nos últimos 10 ou 15 anos, tem-se utilizado a Engenharia Genética como ferramenta para a obtenção de produtos geneticamente modificados. Atualmente, já se dispõe de variedades transgênicas de trigo, arroz, milho, soja, tomate, entre outras espécies, com excelentes características agronômicas. Todo este avanço do conhecimento tem um imenso potencial de utilização para a produção de alimentos, a busca de soluções para a questão da fome, e a melhoria da qualidade de vida do homem.

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